Mostrando postagens com marcador Informações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Informações. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pesquisa Nacional de Saúde

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que cerca de 40% da população adulta brasileira, o equivalente a 57,4 milhões de pessoas, possui pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT). Dentre estas, as mais prevalentes são a hipertensão arterial (21,4%) e a doença crônica de coluna (18,5%). A existência dessas doenças está associada a fatores de risco como tabagismo, consumo abusivo de álcool, excesso de peso, níveis elevados de colesterol, baixo consumo de frutas e verduras e sedentarismo.
Esta pesquisa foi realizada entre agosto de 2013 a fevereiro de 2014, e foram entrevistados 63 mil adultos em domicílio, escolhidos por meio de sorteio entre os moradores da residência para responder ao questionário. A PNS tem como objetivo servir de base para que o Ministério da Saúde possa traçar suas políticas públicas para os próximos anos.



sexta-feira, 20 de março de 2015

LERDORT


CONCEITO 
LERDORT é uma síndrome que se manifesta como dores osteomusculares, associadas ou não a outros sintomas, sendo relacionada a alguns fatores de risco relacionados ao trabalho, bem como fatores extra laborais. É necessário haver a conjunção de vários fatores de risco num determinado grau de gravidade, associados aos fatores individuais, entre eles: atividades repetitivas, posturas inadequadas por tempo prolongado em ambientes impróprios e pouco tempo de recuperação, bem como fatores psicológicos e sociais (entre eles os familiares). Afeta mais freqüentemente, os membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços, braços, ombro), coluna e membros inferiores (principalmente joelho e tornozelo).

COMO SE DESENVOLVE A LERDORT?
Instala-se gradativamente comprometendo músculos, tendões, sinóvias (revestimento das articulações), nervos, fáscias (envoltório dos músculos) e ligamentos, de forma isolada ou combinada. Por conta disso, seus sintomas se apresentam de forma diversa e não são restritos ao sistema osteomuscular, podendo causar incapacidade temporária ou permanente.
No entanto, nem todo indivíduo exposto ao mesmo fator de risco, no mesmo ambiente de trabalho vai desenvolver LERDORT. A interação do corpo humano com os fatores de risco pode ter uma adaptação positiva, suportando outras exposições subseqüentes, ou uma adaptação negativa, favorecendo o surgimento de doença, em graus variados.
Assim como um mesmo fator pode ter vários papéis em circunstâncias diferentes, a resposta do corpo pode ser influenciada por vários fatores mecânicos, fisiológicos e psicológicos, internos e externos. A interferência destes fatores de risco no processo de remodelamento dos diferentes tecidos favorece o desenvolvimento de LERDORT.
Biomecanicamente existem dois mecanismos de lesão:
· O trauma agudo (causado pela sobrecarga acima da tolerância do tecido), que caracteriza um acidente de trabalho, mas pode evoluir para cronificação.
· O trauma cumulativo (exposição crônica a carga submáxima repetitivamente).

LERDORT EPIDEMIOLOGIA
LERDORT constitui grande problema de saúde pública nos países industrializados, devido aos processos de transformações do trabalho. Pelo aumento significativo dos casos de LERDORT nos últimos 15 anos é classificada por alguns autores como uma epidemia.  Vários países viveram esta epidemia, dentre eles, a Inglaterra, os países escandinavos, o Japão, os Estados Unidos, a Austrália e o Brasil. A partir da década de 80, houve um aumento na incidência de distúrbios musculoesqueléticos no Brasil, segundo dados do INSS a LERDORT é a primeira causa mais frequente de afastamento do trabalho. Salienta-se que estes dados excluem os trabalhadores informais que são cerca de 50%. Conforme os dados do INSS, a maioria dos casos com diagnóstico de LERDORT é em jovens e mulheres, em atividades com maior esforço e repetitividade, dos mais diversos ramos de atuação.
Em relação aos motivos de afastamentos do trabalho são mais frequentes as queixas lombares e em segundo lugar ombro, coluna cervical e dorsal.

Observa-se maior prevalência de LERDORT em pessoas com baixa escolaridade e menor renda. Percentuais mais elevados de afastamento encontram-se nas categorias abaixo do nível médio de formação educacional, enquanto os grupos mais qualificados, com nível superior, têm menores índices de absenteísmo. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

PREVENÇÃO


Para a adequada promoção de saúde, são importantes, além das ações diretamente relacionadas às intervenções médicas, fatores comportamentais, ambiente sócio-econômico, influências culturais, relacionamentos interpessoais e as referências históricas. Ao conjunto disso tudo, convencionou-se chamar de estilo de vida. (Candeias, abril, 1997) As principais ações de prevenção e controle das doenças ocupacionais propostas pelo Ministério da Saúde levam em conta a possibilidade da promoção da saúde no ambientes de trabalho, determinando as condições de risco, a caracterização e a quantificação destes. Deve, portanto abranger o trabalhador, a empresa, os órgãos públicos, o mercado informal e as instituições de ensino. (Picoloto e Silveira, 2008; Santos, Bredemeier et al., 2011)
As doenças relacionadas ao trabalho podem ser causadas pelo processo de produção e pela organização do trabalho (Santos e Mattos, 2010). Os fatores de risco ambientais são relacionados às circunstâncias sociais, políticas, econômicas, organizacionais e reguladoras, relacionadas ao comportamento humano e àquelas forças da dinâmica social. Neste âmbito, a engenharia do meio ambiente se direciona a proteção em saúde e a administração no ambiente médico aos serviços de prevenção para a saúde. (Candeias, abril, 1997) No entanto, como a maioria dos ambientes de trabalho são inadequados, as empresas pagam adicionais de insalubridade e periculosidade aos funcionários e investem em equipamentos de proteção individual. No entanto, a prevenção mais eficaz são as medidas de proteção coletiva e adequação do ambiente de trabalho. (Verthein e Minayo-Gomez, 2000) Ainda mais quando se considerada a dificuldade de se chegar a um diagnóstico e confirmar a relação da doença com o trabalho, o melhor tratamento é a prevenção, (Santos, 2009)
A prevenção tem baixo custo, sobretudo quando comparada com os alto custos dos exames diagnósticos e da assistência médica, bem como do presenteísmo ( trabalhador presente no trabalho porém com produtividade reduzida ). É necessário que as instituições de ensino e pesquisa demonstrem esta relação custo-benefício. As medidas preventivas devem ser associadas às políticas públicas e privadas para alcançar abrangência e efetividade na redução de casos novos. (Santos, 2009)

PREVENÇÃO
As medidas de prevenção focadas no trabalhador, individualmente, tentando aumentar sua capacidade de lidar com situações externas adversas é reconhecidamente, pouco efetiva. Deve ser, portanto, complementar. (Inss, 2003; Azambuja e Viana, 2006) Observa-se que melhores resultados são obtidos quando são identificados qual dos fatores de risco atua a maior parte do tempo na maior parte dos trabalhadores e as ações são direcionadas a eles, bem como a forma de execução das tarefas. (Inss, 2003; Azambuja e Viana, 2006) .
É importante quantificar o grau de exposição aos fatores de risco ergonômicos (duração, intensidade e freqüência). Pesquisas tentam identificar o número de movimentos que o trabalhador pode fazer por minuto sem o risco de sobrecarga, considerando ainda a pausa como fator de recuperação. (Azambuja e Viana, 2006) Estas estratégias de prevenção individual devem ser elaboradas a partir da analise integrada da equipe técnica e dos trabalhadores, considerando o saber de ambos os lados. (Inss, 2003) A idéia é estabelecer os critérios de exposição máxima a qual a maioria dos trabalhadores possa ser exposta sem desenvolver lesões, e baseado nisso, iniciar modificações ergonômicas no trabalho. (Azambuja e Viana, 2006) Há parâmetros estabelecidos pela norma regulamentadora (NR 17) para auxiliar a adaptação das condições de trabalho (a norma refere-se às normas de produção, exigência de tempo, determinação do conteúdo do tempo e ritmo de trabalho e conteúdo das tarefas. No item 17.6.3. da NR 17, para as atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, estabelece inclusão de pausas para descanso. Para as atividades de processamento de dados, estabelece número máximo de toques reais por hora trabalhada, o limite máximo de cinco horas por jornada para o efetivo trabalho de entrada de dados, pausas de dez minutos para cada cinqüenta minutos trabalhados e retorno gradativo à exigência de produção em relação ao número de toques nos casos de afastamento do trabalho por quinze dias ou mais) (Inss, 2003)

PREVENÇÃO PRIMÁRIA ORGANIZACIONAL
Atualmente, muitas empresas utilizam estratégias de racionalização para sua gestão. De uma forma geral, estas estratégias têm grande risco de ter influência negativa em relação às doenças relacionadas ao trabalho, tanto mentais quanto músculo esqueléticas. (Westgaard e Winkel, 2011) Em geral, as empresas que tinham gestões com transparências, idéias claras, diálogo e preocupação com trabalhadores e suporte organizacional tiveram influência positiva em relação a saúde do trabalhador. Sobretudo quando houve participação ativa do trabalhador nas decisões relacionadas ao processo de trabalho. A presença do supervisor foi avaliada como negativa, sugerida a descentralização das decisões, a autonomia do grupo e desenvolvimento de suporte social, com valorização dos aspectos sociais e culturais da região. (Westgaard e Winkel, 2011)

GINÁSTICA LABORAL
A ginástica laboral é um dos programas implementados pelas empresas vinculado à visão de melhor qualidade de vida, sendo direcionada para os empregados e empregadores. Do ponto de vista dos funcionários, é direcionada para amenizar os efeitos do mau uso da tecnologia, melhorar a postura e os movimentos executados durante o trabalho, e conseqüentemente, o aumento da resistência à fadiga central e periférica, promoção do bem estar geral, combate ao sedentarismo e diminuição do estresse relacionado ao trabalho. (Mendes e Leite, 2004) .
Para as empresas, os objetivos da ginástica laboral seriam a redução de acidentes, do absenteísmo e da rotatividade, melhora da qualidade total bem como prevenção e reabilitação das LERDORT. (Mendes e Leite, 2004) É considerada um recurso eficaz na prevenção de doenças relacionadas ao trabalho, promoção de saúde e melhora da qualidade de vida do trabalhador. (Sampaio, 2008) Observam-se ainda efeitos na prevenção de LERDORT, com resultados mais rápidos e diretos, melhora o relacionamento interpessoal e alivia as dores corporais. (Oliveira, 2006; Sampaio, 2008) Deve ser incluída de forma regular no expediente de trabalho, com freqüência diária, haja vista que são necessários períodos mais longos para promover efetivamente as adaptações musculares. A associação da Ginástica Laboral com abordagens ergonômicas também potencializa os resultados. (Mendes e Leite, 2004)
Evidências confirmam redução dos casos de LERDORT e alívio das dores, bem como mudança de estilo de vida, no período compreendido entre três meses a um ano após implantação da ginástica laboral, traduzidos em redução dos custos com assistência médica, melhora da ergonomia, diminuição das faltas e aumento da produtividade. (Sampaio, 2008) As pausas ativas da ginástica laboral aumentam a execução de tarefas. (Mendes e Leite, 2004)
A ginástica laboral é classificada de diversas maneiras. Podemos organizá-las em: preparatória, compensatória, de relaxamento e corretiva. (Sampaio, 2008)

Ginástica laboral preparatória: exercícios realizados antes da jornada de trabalho para preparar o indivíduo para iniciar o processo de trabalho, podendo ser direcionada aos grupos musculares solicitados. Inclui exercícios de coordenação, equilíbrio, concentração, flexibilidade e resistência muscular. (Maciel, 2005; Oliveira, 2006; Sampaio, 2008)

Ginástica compensatória: São praticados durante ou após o expediente, com duração de 5 a 10 minutos. Seu objetivo é aliviar as tensões musculares decorrente do uso excessivo ou inadequado das estruturas músculo-esquelética e melhorar a circulação. São sugeridos exercícios de alongamento e flexibilidade, respiratórios e posturais. (Maciel, 2005; Sampaio, 2008)

Ginástica laboral de relaxamento: são exercícios aplicados ao fim do expediente, com duração de 10 a 12 minutos, visando o relaxamento muscular e mental, redução de estresse e alívio de tensão. São realizados auto-massagem, exercícios de alongamento, flexibilidade e meditação. Mais comumente indicados para trabalhos com excesso de carga horária ou em serviços de cunho intelectual. (Maciel, 2005; Oliveira, 2006; Sampaio, 2008)

Ainda podemos classificá-la quanto ao objetivo:
Ginástica de Compensação : exercícios desenvolvidos dentro do próprio setor ou ambiente de trabalho para evitar vícios posturais, fadiga, posturas extremas, estáticas ou unilaterais. São realizados movimentos simétricos de alongamento dentro do próprio setor ou ambiente de trabalho entre 5 a 10 minutos.

Ginástica laboral corretiva: atua tentando estabelecer o equilíbrio entre agonista e antagonismo muscular, fortalecendo os músculos fracos e alongando os músculos encurtados. Dura de 10 a 12 minutos. É usada para trabalhar grupos específicos dentro da empresa, em conjunto com a equipe de saúde (Maciel, 2005; Sampaio, 2008)

Ginástica Terapêuticaindicada para tratamento de distúrbios e patologias de funcionários avaliados previamente e separados por diagnóstico médico. Visa atuar em casos mais graves de lesões com limitações ergonômicas. É realizada em um local apropriado e não no local de trabalho. Sua duração pode chegar a 30 minutos. (Maciel, 2005)

Ginástica de Manutenção ou Conservaçãoprograma de continuidade após obtenção do equilíbrio muscular alcançado pelas técnicas corretivas ou terapêuticas citadas. Pode evoluir para um programa de condicionamento físico aeróbico associado a reforço muscular e alongamentos. Nesse caso é necessário que a empresa disponha de sala especial para o treinamento para que o funcionário possa utilizar seus horários de folga com duração de 45 a 90 minutos. (Maciel, 2005)

ERGONOMIA
A ergonomia avalia as condições e os ambientes de trabalho para propor e implementar soluções técnicas, relacionadas a mudanças nos equipamentos e ambientes físicos. (Maciel, 2005)

PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE
Nos Estados Unidos, são desenvolvidos programas governamentais e comunitários de inventivo a prática de atividade física e recreativa, visando prevenção de doenças degenerativas, hipertensão arterial, diabetes e redução de estresse. Entre estas intervenções, estão ações direcionadas para o ambiente de trabalho. Programas semelhantes são desenvolvidos em outros países, estimulando a mudanças de estilo de vida e aquisição de hábitos mais saudáveis. (Maciel, 2005)
Há estudos que evidenciam que não há diferenças estatisticamente significativas entre as ações educativas pautadas nas orientações gerais sobre a saúde e orientações específicas para prevenção de LERDORT. (Dortch e Trombly, 1990)

REFERÊNCIAS
Schmidt, M.I; Giugliani, E.R.J., 2006. Cap.136. p. 1239-51.
SANTOS, A. C. et al. Impact on the Quality of Life of an Educational Program for the Prevention of Work-Related Musculoskeletal Disorders: a randomized controlled trial. BMC Public Health [S.I.], v. 11, p. 60, 2011.